Conforme visto no capítulo anterior, vivemos em uma sociedade que se desenvolve de forma acelerada e descoordenada. O meio ambiente sofre com as mazelas do consumismo desenfreado, com a descartabilidade e a obsolescência programada, visto que estes fenômenos geram poluição e degradação ambiental. Existe um vídeo, acho que tem no Youtube, chamado Story of Stuff, produzido por Annie Leonard, onde ela explica bem didaticamenteque o sistema começa na extração da matéria prima, passando pela produção, isto é, pela industrialização, depois os produtos são distribuídos, consumidos e acabam na disposição final. É fácil perceber que este sistema encontra-se em crise, visto que não se pode operar essa linearidade num planeta finito. Somos a sociedade do desperdício. O consumo consciente é parte de toda sociedade que preza pelo desenvolvimento sustentável e é um passo importante para a construção de uma Economia Circular. Para entender a Logística Reversa, devemos ver alguns conceitos antes. Primeiro: Qual é a diferença entre resíduo e rejeito sólidos? Resíduos sólidos são restos dos produtos que foram consumidos, mas que ainda possuem alguma utilidade, podendo ser reutilizados ou até reciclados.

Os rejeitos, por outro lado, são espécies de resíduos não possuem mais nenhuma utilidade, isto é, esgotaram-se as possibilidades de reciclagem ou reaproveitamento, devendo assim, terminar a sua vida útil. A partir desses conceitos, surge outro ponto que se revela ser muito importante. Qual é a diferença entre disposição e destinação final ambientalmente adequada? A destinação é aquela que busca formas alternativas para dispor adequadamente os resíduos, almejando a sustentabilidade através da reutilização, a reciclagem, a compostagem, entre outras formas ecologicamente corretas. Por outro lado, a disposição final ambientalmente adequada está ligada aos rejeitos, visto que ela busca amenizar riscos à saúde e evitar danos ao meio ambiente a partir do ordenamento dos rejeitos em aterros sanitários ecologicamente corretos.Agora, para entender a logística reversa, primeiro precisamos entender o que é a logística. O objetivo da logística é entregar o produto ao consumidor final, fornecendo-o de forma correta, nas condições corretas, no local certo e dentro do limite temporal estabelecido, satisfazendo tanto o consumidor, quanto a empresa.
A logística reversa é a mesma coisa, só que é a volta do produto após seu consumo até o início dessa cadeia. Surgiu a necessidade de abranger o lapso temporal da responsabilidade sobre a logística dos bens, integrando também o fluxo reverso dos mesmos, visto que muitos problemas ambientais decorreram do descarte indevido. A logística reversa está prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos e é uma das ferramentas mais eficientes, é um instrumento que visa sanar problemas de ordem ambiental de que tanto se necessitava nos centros urbanos. A logística reversa deve ser entendida como a área da logística empresarial que opera, planeja e controla o fluxo, bem como as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens do pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios, ou, ainda, ao ciclo produtivo por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros. Houve um grande avanço na legislação com a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a qual gerou grande impacto nas relações de consumo, criando importantes diretrizes e instrumentos eficazes para combater o acúmulo de lixo.
A logística reversa apresenta-se como um instrumento imensamente eficaz de reduzir os impactos ambientais da poluição e da degradação ambiental. Devemos, portanto, criar uma nova consciência, introduzindo conceitos sustentáveis nos nossos meios de produção. Os produtos devem ser elaborados já pensando em sua possível reciclagem, com maior durabilidade e baixa utilização de recursos naturais. Valorizar o mercado local é valorizar a diversidade, a pessoalidade e o coletivo. O Poder Público, o setor empresarial e os consumidores devem se unir em prol da preservação ambiental, ou seja, da autopreservação do ser humano. Desse modo, importa que a sociedade seja menos materialista e mais humana.

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