Vivemos em uma sociedade em desenvolvimento intenso e descoordenado. O direito encontra dificuldades de acompanhar o ritmo acelerado do mercado, da industrialização e das novas relações geradas por estes. Somos bombardeados por novos produtos, novas tecnologias e novas tendências. Paralelamente a este movimento, percebe-se uma conveniente diminuição da vida útil de todos os produtos, afinal, do que adiantaria produzir intensamente, se o consumo não fosse à mesma velocidade?
Ainda, nos últimos anos vivemos diversas crises ambientais na sociedade brasileira. A cada semana, um novo desastre foi anunciado como rotina: queimadas descontroladas nas florestas, plástico e óleo nos oceanos, barragens com metais pesados devastando tudo que veem pela frente. Para piorar, vemos uma conveniente e lucrativa inércia do Governo, que além de não combater e lutar pela prevenção dos danos, sequer se esforça pela recuperação dos desastres quando acontecem.

O mercado exige uma grande movimentação dos produtos, além disso, determina uma constante renovação do consumo. Mas e as consequências deste fenômeno? O que fazer com os produtos obsoletos? Observa-se um farto acúmulo de lixo nas cidades, e uma forte ameaça à coletividade. É evidente que os dois polos de uma relação básica de consumo se beneficiam: o fornecedor lucra, enquanto o consumidor usufrui do produto. Entretanto, essa relação não afeta apenas essa esfera bipolar, visto que existe a possibilidade dela trazer prejuízos ao meio ambiente e, por conseguinte, à sociedade, caso não haja uma destinação correta dos produtos consumidos após o seu descarte. Portanto, a coletividade possui interesse nessa relação. Consumidores podem aproveitar a quarentena para repensar sobre seus hábitos, escolher itens mais duráveis, que produzem menos lixo, que afetam menos o ambiente, respeitam a sazonalidade da matéria prima, e fornecedores podem repensar seus produtos para atender essa tendência mundial. Os produtos podem ser elaborados já pensando em sua possível reciclagem, com maior durabilidade e baixa utilização de recursos naturais.
Por isso é tão importante refletir sobre os nossos hábitos de consumo, estar atento à real necessidade do que consumimos e aos possíveis impactos que uma compra pode causar. O consumo consciente nada mais é do que ter consciência do que está consumindo e produzindo. Outro ponto importante e que surgiu com a quarentena foi de valorizar o mercado local: Valorizar o mercado local é valorizar a diversidade, a pessoalidade e o coletivo. O Poder Público, o setor empresarial e os consumidores devem se unir em prol da preservação ambiental, ou seja, da autopreservação. Isso é ser sustentável. Vemos que essa nova consciência já é uma tendência mundial, e todos podemos introduzir os conceitos sustentáveis nos meios de produção e nosso dia a dia.




